A maioria das administradoras não decide o próprio preço — ela o herda do mercado e o reajusta pela inflação. Precificar é engenharia, não tradição.
A taxa de administração é a espinha dorsal da receita de qualquer administradora, e quase nenhuma a trata com o rigor que ela merece. O preço é, na maioria dos casos, um número herdado — definido há anos por comparação com o concorrente e reajustado anualmente pelo índice de inflação, sem que ninguém questione se o modelo de cobrança ainda faz sentido, se ele captura o valor entregue ou se a estrutura de receitas acessórias está sendo explorada. Precificação, no entanto, é engenharia: tem variáveis, lógica e arquitetura. E é uma das alavancas de margem mais subaproveitadas do setor.
Os modelos de cobrança e o que cada um esconde
Há três modelos básicos de honorário, e cada um carrega um viés:
- Valor fixo por condomínio: simples de comunicar, mas tende a descolar do trabalho real. Um condomínio que cresceu em complexidade continua pagando o que pagava quando era simples — a administradora subsidia o cliente sem perceber.
- Percentual sobre a arrecadação: alinha receita ao porte, mas pune a eficiência: se a gestão reduz a arrecadação extraordinária por boa manutenção preventiva, a administradora ganha menos por ter feito melhor.
- Valor por unidade: o mais defensável, porque correlaciona o preço ao que de fato gera trabalho — o número de unidades e moradores atendidos. É o modelo que melhor escala com a realidade operacional.
A decisão entre eles não é estética. Ela determina se o seu preço acompanha o seu custo de servir — ou se você está, em parte da carteira, trabalhando de graça.
Escalonar por complexidade, não por tamanho
O erro mais comum é precificar por número de unidades apenas. Duas torres com 100 unidades cada podem dar trabalhos radicalmente diferentes: uma com portaria remota, gerador, piscina coletiva e academia exige gestão técnica que a outra não demanda. A engenharia de honorários madura escalona o preço por complexidade — itens de lazer, sistemas técnicos, histórico de conflito, exigências regulatórias — e não apenas por porte. O cliente entende essa lógica quando ela é apresentada com critério; o que ele não aceita é diferença de preço sem explicação.
As receitas acessórias: a margem que está na mesa
O honorário de administração é apenas uma das linhas de receita possíveis, e raramente a mais rentável. Os diagnósticos da Eleva recorrentemente apontam receitas acessórias inexploradas: taxa de serviço ao inquilino na intermediação, fundo de conservação do imóvel, taxas de implantação de novos contratos, serviços jurídicos recorrentes, intermediação de seguros. Cada uma dessas linhas tem margem própria e, somadas, podem representar parcela significativa do resultado. A condição é que sejam estruturadas, comunicadas como benefício e formalizadas — não improvisadas. Receita acessória que o cliente percebe como cobrança escondida vira passivo de relacionamento; receita acessória apresentada como valor agregado vira diferencial.
Antes de discutir quanto cobrar, o dono precisa responder a três perguntas que quase ninguém faz: o meu modelo de cobrança acompanha o meu custo de servir? O meu preço escalona pela complexidade real ou só pelo tamanho? E quantas linhas de receita legítimas eu estou deixando na mesa por nunca tê-las estruturado?
Conclusão
A engenharia de honorários é uma das poucas alavancas que melhoram a margem sem exigir um único cliente novo. Escolher o modelo de cobrança certo, escalonar por complexidade e estruturar as receitas acessórias é trabalho de meses, não de uma reunião — mas é o trabalho que separa a administradora que herda o próprio preço da que o projeta com intenção. Precificar mal é abrir mão de lucro que já está dentro de casa.
Da análise à execução, dentro da sua administradora.
Redesenhar a sua estrutura de honorários e receitas acessórias é uma das alavancas de margem que mais se beneficia de acompanhamento especializado.
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Independência editorial: este conteúdo não defende o interesse de nenhum grupo. É de autoria independente de Giuliano Spolavori, fundador da Eleva.
Giuliano Spolavori · Eleva — Expansão Estratégica Imobiliária
elevags.com.br · eleva@elevags.com.br · (51) 99363-0953
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Giuliano Spolavori
Com mais de três décadas de experiência, Giuliano se consolidou como um dos grandes especialistas do setor imobiliário no país. Foi sócio e vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo Guarida, uma das maiores e mais respeitadas administradoras de imóveis e condomínios do Brasil, onde liderou transformações estratégicas que marcaram o mercado.
Hoje, à frente da Eleva, Giuliano aplica toda essa vivência prática e visão estratégica para orientar imobiliárias e administradoras de condomínios que buscam profissionalizar sua gestão, acelerar resultados e se preparar para o futuro.
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